sábado, 23 de novembro de 2013
SALUTAR E BELO EXEMPLO
SALUTAR E BELO EXEMPLO
Avelina Maria Noronha de Almeida
avelinaconselheirolafaiete@gmail.com
Quando se abre um jornal e se vê quanto desentendimento há no mundo de hoje, ou se liga a televisão e os noticiários explodem em ódio e violência...
Quando o esporte, que deveria ser um campo de sadio prazer e convivência, transforma-se em um campo de batalha...
Quando as ideologias colidem e criam inimigos e provocam lutas...
Quando a corrupção e a falta de ética geram revoltas e destruição...
Quando mísseis cruzam os céus trazendo destruição e morte porque países se digladiam levados pela ambição ou defesa de soberania, para conquistarem ou reterem poder, e são tão difíceis, dolorosas, e quase sempre infrutíferas as negociações de paz; ou dentro de um país facções estão armadas para lutar contra a prepotência ou para praticá-la...
Quando alguém diz que “o poder nasce do fuzil” e as verdades individuais não se somam mas se multiplicam em conflitos perigosos e destruidores; quando resoluções internacionais são desrespeitadas e sanções violadas...
Quando as divergências domésticas transformam lares em infernos e jovens formam gangues que lutam pela hegemonia no poder marginal ou no tráfico de drogas ou se entregam à ociosidade e à devassidão...
Enfim, quando a vida é desvalorizada, o erro banalizado e a violência mina as relações sociais...
...no Brasil, nesta “Jornada Mundial da Juventude”, na Santa Missa celebrada no Santuário Nacional de Aparecida, durante a homilia, o Papa diz palavras que se referem ao papel dos jovens neste panorama social, os quais podem contribuir, com suas atitudes, para mudar a face triste e sombria do mundo: “Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade.
Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade”.
Mas Francisco não fica só em palavras. Após a Santa Missa, ele e os líderes de outras religiões que compareceram à cerimônia religiosa tiveram um belo momento de confraternização com sorrisos, palavras e gestos de amizade. Que belo exemplo aqueles homens de grande importância no cenário religioso mundial deram aos jovens ali presentes e aos que acompanhavam o evento pela televisão! Uma lição viva de fraternidade e sadia convivência que deve reinar entre todas as criaturas e povos, porque, como está no salmo de Davi, "Ecce Quam Bonum", em suas primeiras linhas:
Ecce quam bonum et quam jucundum / Habitare fratres em unum. (Eis quão bom e quão suave / é que os irmãos vivam em união")
terça-feira, 16 de julho de 2013
UM SER HUMANO ADMIRÁVEL
UM SER HUMANO
ADMIRÁVEL
Avelina Maria
Noronha de Almeida
Conheci Elder José quando, residindo
na rua Dr. Campolina, eu ia comprar pão na padaria de seu pai. A lembrança que
guardo daquela época é de um menino sereno e educado perto do balcão. Essa
postura Élder levou pela vida a fora. Andou por muitos lugares, conviveu com
muita gente, pobres e ricos, humildes e poderosos, simples e sofisticados. Transitou pelas altas rodas da sociedade, teve
amigos de posição elevada, realizou eventos, escreveu em colunas de jornais, teve
programas nas rádios, enfim, sua vida foi fecunda de experiências, mas
caminhando pela existência sempre com a mesma simplicidade, com a mesma
naturalidade elegante, estivesse onde estivesse. Pautou suas ações pela ética e
pela vontade de cooperar com a melhoria do ser humano.
Queria com força o desenvolvimento
de nossa cidade. Ultimamente me manifestou o desejo de que alguém escrevesse
sobre o início do rádio em nossa cidade. Que era uma história muito bonita, não
podia ser esquecida pelos que a acompanharam e precisava ser conhecida pelos
mais novos. Pediu-me que o fizesse, mas ponderei o seguinte: fui testemunha da
história do rádio em nossa terra desde o início, porém de dentro de minha casa,
ouvinte encantada com as músicas clássicas levadas ao ar pelo Ganime, atenta aos
programas da União Colegial Lafaietense, da qual fui integrante nos primeiros
anos da década de cinquenta, e de muita coisa mais. Porém, do que acontecia nos
bastidores, das lutas e vitórias, eu nada sabia. Ele, sim, faria um belo
relato. Vi que ficou entusiasmado.
Há poucas semanas, não tendo ido à
festa de seu aniversário, liguei para cumprimentá-lo e saiu de novo o assunto.
Convidei-o para um cafezinho a fim de conversarmos melhor e disse que mandaria
fazer um bolo. Ele me respondeu: “– Vou,
mas não mande fazer um bolo. Mande fazer uma broa de fubá!” Essa preferência
dele demonstra como, mesmo acostumado às mais sofisticadas mesas do society,
continuava preso às nossas raízes simples e tradicionais. Quem sabe alguém que
viveu aquela realidade resolva realizar esse sonho do Élder? Tomara!
Disse
Chaplin que “A
vida é um palco de teatro que não admite ensaios. Por isso, cante, chore, ria,
antes que as cortinas se fechem e o espetáculo termine sem aplausos. Elder José não precisava de ensaios. Com espontaneidade
cantou, chorou, riu e, antes que as cortinas se fechassem, apresentou seu último
espetáculo neste mundo, e que magnífico “grand finale”! Perfeito para terminar
sua trajetória! Na festa de seu aniversário, último de seus eventos, pediu que
aqueles que fossem não levassem presentes, mas fraldas para serem doadas aos
hospitais. Que belo gesto social de despedida beneficiando o próximo!
Só
não acho que as cortinas do espetáculo se fecharam definitivamente após os
aplausos de nós, pobres viventes. Ao chegar o grande Élder ao outro lado, elas
se reabriram e, em outro palco, esse mais brilhante que todos os de sua
gloriosa vida terrena, ele continua apresentando novos e esplêndidos
espetáculos.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
UM GRANDE VALOR EM NOSSA CIDADE
UM GRANDE VALOR EM NOSSA CIDADE
Avelina
Maria Noronha de Almeida
Temos
muitas coisas boas em nossa cidade, que a valorizam e a colocam em lugar de
destaque. Uma delas é o xadrez.
19 de novembro é o
Dia Mundial do Xadrez. A data foi escolhida por ser o aniversário do cubano
Raul Capablanca, considerado “gênio e menino prodígio do xadrez”, campeão
mundial de xadrez de 1921 a 1927.
Há muita
controvérsia quanto à origem desse jogo, com muitas histórias associadas a seu
início. Dizem uns que começou na China, outros na Índia, ou na Pérsia, ou no
Egito... A que é mais divulgada se passa na Índia, numa pequena cidade chamada
Taligana. Um poderoso rajá teve a infelicidade de seu único filho ter sido
morto em uma batalha sangrenta. O rajá mergulhou numa tristeza sem fim, em
profunda depressão e ninguém conseguia ajudá-lo a superar a dolorosa perda. Com
isso estava morrendo aos poucos e o reino estava tão descuidado que pouco
faltava para que se arruinasse totalmente.
Preocupado
com a queda do reino, um brâmane, Lahur Sessa, levou ao rajá um tabuleiro
contendo 64 quadros, brancos e pretos, com diversas peças de formatos
diferentes representando o exército indiano: a infantaria (peões), a cavalaria, os carros
de combate (bispo) , elefantes (torres), o principal vizir (rainha) e o próprio
rajá (rei). Por ser uma batalha, o jogo privilegiava a prudência, a lucidez, a
sabedoria, a importância da decisão, da ponderação, da persistência. Aquele
jogo, disse o brâmane ao rajá, iria acalmar seu espírito, curá-lo da depressão
e aceitar com resignação a morte do filho.
Foi realmente o que aconteceu e o rajá voltou a dedicar-se a seu reino,
que voltou a ser próspero e feliz.
Quem
trouxe o xadrez para o Brasil foi D. João VI, em 1808.
A
história do xadrez em nossa cidade vai muito longe, mas só em 1994 foi fundado
oficialmente o Clube de Xadrez . Há alguns anos, partindo das aulas do
professor Elder Miguel na Escola Municipal Dr, Rui Pena (CAÍQUE), foi criado o
“Projeto Xadrez na Escola”, nas escolas municipais, hoje já atingindo 19
escolas, sendo quatro na região rural. Essas escolas têm feito trabalhos
excelentes e conquistado muitas vitórias.
E
vejam que importante: na quinta-feira oito deste mês, a Escola Municipal “Jair
Noronha” recebeu diploma de “Honra ao Mérito Desportivo – Modalidade Xadrez”,
concedida pela Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete. De acordo com a
diretora, Cleide Helena Faria, o xadrez desenvolveu, nos alunos de sua escola,
raciocínio, concentração, atenção, elevação da auto-estima e senso de
competitividade positiva.
E
ainda: a aluna Tatiane Letícia Gomes Lisboa, de 13 anos, da Escola Profissional
“Luiz Carlos Gomes Beato”, foi a campeã de Minas Gerais nos Jogos Estudantis de
Minas Gerais – JEMG.
Parabéns,
escolas e estudantes! Como diziam os latinos:
Amat victoria curam. (A vitória favorece os que se preparam)
FELIZ ANO NOVO!
FELIZ
ANO NOVO!
Avelina
Maria Noronha de Almeida
(Publicado
na passagem de 2012 para 2013)
No livro “Nossa Vida”, da queluziana Maria José
Gerspacher Schmitz, publicado em 1976, entre vários episódios interessantes do
passado fala sobre uma passagem de ano:
“Quantas vezes, em companhia do papai,
esperava a chegada do Ano Novo, em uma das sacadas, no salão. Enquanto os
outros na sala, em volta da grande mesa, comiam nozes, amêndoas, figos, ameixas
e outras coisas gostosas, eu preferia ficar com o papai. Não havia luz elétrica
nas casas e nas ruas, e eu olhava ansiosa esperando ver surgir de dentro da
escuridão alguma coisa diferente que seria o Ano Novo. O papai contava:
– Lá se vai o Ano Velho, de barbas
brancas, velhinho e tristonho, ninguém mais se importa com ele. Vem chegando o
Ano Novo, menino bem pequeno ainda, carregando sua trouxinha, e todos esperam alegres,
cheios de esperança, com grandes festejos.
Ficava com tanta pena do Ano Velho que
tinha vontade de chorar.”
Essa visão de uma criança
na Passagem do Ano, há mais de cem anos, desperta-me reflexões. Acreditando nas
palavras do pai, a menina imaginava o velhinho tristonho indo embora e ficava
com pena dele. Como dói a saudade daquele tempo em que era tão bela a fantasia
na mente das crianças! Lindas a sensibilidade infantil em relação ao velhinho
que se ia, a reunião da família em torno da mesa tradicional! Hoje as atrações
culinárias são outras e muitos, naquela hora de mudança, estão dançando nos
“réveillons” ou comemorando nas praças.
Havia escuridão nas casas
e nas ruas, porém eles enxergavam melhor o significado daquela data do que nós
hoje, tão iluminados pela eletricidade.
Aí me perguntei: será que
ainda há crianças que, na passagem deste ano, tenham vontade de chorar de pena
do velhinho 2012? Tenho minhas dúvidas... Estarão talvez entretidas com
joguinhos eletrônicos, desenhos às vezes assustadores e outras atrações que se apresentam
hoje para a infância.
O trecho de Maria José
foi em mim que despertou a vontade de chorar de pena do velhinho, levando às
suas costas tanta coisa triste que presenciou em 2012. Se houve realizações
importantes, avanços na ciências, incríveis inovações tecnológicas, tablets,
games, celulares, fabulosas descobertas astronômicas e tanta coisa mais...
... houve muita pirataria
on-line, invasões terríveis de privacidade, tragédias ambientais, conflitos
generalizados pelo mundo, muita miséria, bastante corrupção, violência
exacerbada e perdas de pessoas ilustres.
Quanto às expectativas em
relação ao menino Ano Novo, as pessoas não mudaram. É geral o sentimento de
esperança de que sua trouxinha vá se enriquecendo, no passar dos dias, com
eventos felizes, progressos benéficos e muita harmonia.
Aos leitores, desejo que
suas esperanças se concretizem, que
sigam caminhos floridos e iluminados,
mas sejam seus passos firmes e cuidadosos, porque sempre se encontram tropeços; por isso vale a
advertência prudente dos romanos: “Cave ne cadas” (Cautela em não
caíres).
PERMANÊNCIA DE CLEIBER ANDRADE
PERMANÊNCIA
DE CLEIBER ANDRADE
Avelina Maria Noronha de Almeida
Não
vou dizer que a morte de Cleiber deixou nossa Cultura mais pobre. Não seria
verdadeiro porque a riqueza de sua personalidade está cintilante nas obras que
ele deixou. Cleiber continua presente em suas preciosas obras.
Entre tantos adjetivos
que cabem ao ilustre escritor, podemos ressaltar que foi uma pessoa
incrivelmente forte, sem esmorecer nunca, sem empalidecer a inteligência e a
memória, lúcido e batalhador até o fim.
Quinze dias antes de
seu falecimento enviou um e-mail para os participantes de sua lista na Internet
com a carta que escrevera defendendo os aposentados. Um texto enérgico,
literariamente muito bem escrito, recheado de metáforas e com seriedade de
argumentos. A preocupação com os problemas sociais já havia se manifestado no
livro de poemas “Vozes da terra e outras vozes”, lançado em 2002, inspirado na
miséria que presenciou no Vale do Jequitinhonha. A sua consternação ao tomar
contato com tanta tristeza se transformou em versos vigorosos e de grande
beleza que formaram um longo e emocionante poema.
A genialidade literária
de Cleiber era multifacetada, com incursões em temas históricos, na Poesia, no
jornalismo e em outros setores, mas, de um modo muito especial, no Teatro.
Foram 50 anos de experiência no meio teatral, com 20 peças escritas, todas elas
reconhecidas como de grande valor por nomes importantes do cenário cultural
brasileiro e representadas, também, por artistas talentosos e aplaudidos, como
Procópio Ferreira.
Sua primeira obra, a
comédia de costumes, “Um dia a casa cai”, estreou-se no dia 18 de setembro de
1947, no Cine Teatro Avenida. E a carreira de escritor de peças teatrais foi
caminhando pelo tempo; sucediam-se peças, desempenhavam-nas grandes artistas. Uma
obra clássica é aquela que sobrevive atravessando os tempos com a mesma
aceitação de gerações diversas. Pode ser exemplo dessa definição a peça “Zero
Hora”, publicada na coleção “Teatro Nacional” e que logrou o primeiro lugar no
Concurso Nacional de Dramaturgia do Jornal “A Noite”, do Rio de Janeiro. Alcançou
grande sucesso em 1961 em São Paulo; após tanto tempo, desde outubro de 2009
tem sido um sucesso em Portugal (lá recebeu o nome de “Hora Zero”), sendo
apresentada e grandemente aplaudida em várias cidades portuguesas.
Cleiber era Membro
Emérito da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette e, entre
outras honrarias, foi agraciado, pelo Governo do Estado de Minas Gerais, com a
Medalha Santos Dumont, grau prata, indicação da Academia Mineira de Letras por
seus méritos literários.
Seu último livro de
poesias, “Nas asas do vento”, é uma obra lírica de intensa beleza. Pois foi nas
asas desse vento, que ele cantou tão lindamente, que Cleiber Andrade foi
passear pela Eternidade. Ele que soube seguir o ensinamento de Provérbios
[16.16 – Vulgata]:
Posside
sapientiam, quia auro melior est. Possui a sabedoria,
pois ela é melhor que o ouro.
SERÁ UM PIONERISMO DE QUELUZ?
SERÁ
UM PIONERISMO DE QUELUZ?
Avelina
Maria Noronha de Almeida
avelinaqueluz@bol.com.br
Uma
das profissões que mais me fascina é a do paleontólogo, que se aplica a
descobrir fósseis, isto é, partes dos corpos de animais que se preservaram
séculos em baixo da terra, sedimentados em rochas, no gelo e em outros sítios
favoráveis à sua conservação e, nesses fósseis, também vislumbrar como
aconteceu a evolução primata-homem.
Dia
15 de junho é a data comemorativa do paleontólogo. O símbolo mais forte dessa
profissão é uma pessoa extraordinária: O dinamarquês Peter Wilhelm Lund, que
veio por duas vezes ao Brasil e, na última, aqui ficou definitivamente até o dia
de sua morte. Em uma das viagens que empreendeu em nosso País, encontrou outro
dinamarquês que explorava salitre nas cavernas calcáreas. Certo dia,
acompanhando o amigo em excursões a cavernas da região de Curvelo, reconheceu
ossadas misturadas ao salitre. Assim, a partir de 1833, iniciou suas notáveis
pesquisas e descobertas nessa área.
Sabem que, em terras de
Queluz, foi descoberto um fóssil antidiluviano? E pode ter sido descoberto
anteriormente às descobertas de Lund?
Em
manuscritos escritos nos primeiros anos do século XX, diz o professor laminense
João Duarte Medeiros que havia sido encontrado um fóssil em terras de Queluz.
Também um dos visitantes estrangeiros que vieram ao Brasil na primeira metade
do século XIX, o inglês Francis Castelnau, em seu livro “Expedição às Regiões
Centrais da América do Sul”, publicado em 1843, relata que, vindo de Barbacena,
atravessara o rio Carandaí e entrara em terras de Queluz. Depois refere o
seguinte: “Cunha Matos fala de interessante descoberta, nas margens deste
rio, de um crânio gigantesco, provavelmente de mastodonte e coberto
ainda de pelos muito grossos e com palmo e meio de comprimento. Estavam
cortados em forma de coroa e muito bem conservados. Esta descoberta, que parece
ter sido feita em terreno argiloso, apresenta um fato curioso e quase
inexplicável. É verdade que se têm descoberto, mais de uma vez, animais
antediluvianos conservados intatos, pelos inclusive, entre os blocos de
gelo da Sibéria; mas, nos países mais quentes, nenhuma descoberta desta natureza
foi feita. Depois daí é difícil de explicar como, em tais
circunstâncias, possam porções do pelo do animal resistir à destruição, não só
por efeito das causas naturais, mas ainda em virtude do ataque pelos
seres variados que pululam nessas regiões”.
Se o fato foi publicado
em 1843 e o autor encontrou-o em um livro publicado anteriormente, pode muito
bem a descoberta em Queluz ser anterior às descobertas de Lund.
Onde estará o nosso
fóssil? Nosso também, porque, na época de sua descoberta, o local fazia parte
da Vila de Queluz. Hoje o local deve ser de Cristiano Otoni. Escavações à
margem do rio Carandaí poderiam descobrir um riquíssimo sítio arqueológico.
Seria formidável! São outros os tempos em relação a essa descoberta que, para
nós, na verdade, ainda está bastante “encoberta”. Quem sabe, com a evolução
cultural e educacional de nossa querida terra, o tempo atual nos traga boas
novidades porque, como diz o ditado latino:
O tempo tudo traz. (Omnia fert aetas)
quarta-feira, 3 de julho de 2013
FÉ E CIÊNCIA
FÉ E CIÊNCIA
Avelina Maria Noronha de
Almeida
avelinaconselheirolafaiete@gmail.com
No ano passado, o cardeal italiano
Dom Zenon Grocholewski, expressando-se sobre a Fé em uma homilia no Santuário
do Pai Eterno, em Trindade, Goiás, o faz de uma forma belíssima:
“A Fé é como a noite, uma noite
escura iluminada de estrelas. Mas não é verdade que a durante a noite se vê
menos? Não é verdade que à noite se vê menos. Ao contrário. Durante a noite se
vê muito mais. Durante o dia, sim, vemos muito mais claramente, mais
precisamente. Porém vemos pouco; vemos somente o que nos circunda. Nosso campo
visual é mui limitado. Durante a noite certamente vemos com menor claridade,
com menos precisão, porém vemos mais plenamente, mais longe, vemos as estrelas
que estão afastada de nós milhões de anos luz.”
Dizem que não somos do tamanho da
nossa altura, mas do tamanho do que vemos. Pois esse cardeal disse que, mirando
as estrelas, sentia-se grande, que a vida dele não estava limitada à realidade
terrena, mas, sim, “incrustada em um fascinante, encantador e imenso Universo”.
Lembrei-me dessas palavras vendo
diversas imagens captadas pelo Telescópio Espacial Hubble, um satélite
astronômico artificial que transporta um grande telescópio lançado pela NASA em
1990. As visões e informações que ele nos traz são fascinantes. Por exemplo, a
Nebulosa de Orion com a luz vermelha indicando a emissão por nitrogênio; a luz
verde, por hidrogênio; e a azul por oxigênio. A Nebulosa do Cisne é vista como
um oceano de hidrogênio com pequenas quantidades de oxigênio, enxofre e outros
elementos.
E veio ao meu pensamento uma
associação entre a Fé e o Telescópio Hubble. Santo Tomás de Aquino nos fala de
cinco vias para se provar a existência de Deus. E a que vem agora ao caso é a
Quinta Via, segundo a qual a ordem sempre remete a um Sapientíssimo Planejador
e Ordenador, um Organizador sumamente inteligente, de admirável sabedoria
formando uma unidade sábia, harmônica e bela. Imaginem só, numa lonjura de
muitos milhares, milhões de anos luz vislumbramos as mesmas cores, estão os
mesmos elementos químicos encontrados em nosso mundo pequeno diante da
grandiosidade de outros corpos celestes, numa correlação em que se
conjugam as mesmas leis, encadeados num
conjunto de causa e efeito, obedecendo a um plano que faz da Criação uma
incrível e admirável unidade. Um cientista ex-ateu, Scheleich, fez o seguinte
depoimento: “Tornei-me religioso por meio de um microscópio e da contemplação
da natureza”.
Diante do que mostra o Hubble, só temos que admirar a grandeza do
Universo e louvar ao Criador por sua obra. Como diz Dante, em De Monarchia 13.2:
“Deus aeternus arte sua, quae natura est.” (Deus é eterno por sua obra,
que é a natureza)
Assinar:
Postagens (Atom)






