segunda-feira, 1 de julho de 2013

ESPANTOSO!





ESPANTOSO!
                                                      Avelina Maria Noronha de Almeida
                                                          avelinaqueluz@bol.com.br   

            “Molécula similar à que contém o código genético dos seres vivos é produzida em laboratório para guardar arquivos de computador. Tecnologia pode revolucionar armazenagem de dados”.
A notícia acima foi veiculada recentemente na conceituada revista Nature.
            Espantoso! Imaginem só o alcance dessa realização científica. Jagadeesh Moodera, cientista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, construiu um aparelho que resolvia um problema para as salas de laboratório, que estavam abarrotadas de fitas magnéticas com informações biológicas e o modo usual de armazenamento não estava mais cabendo no orçamento para os serviços executados naquelas salas: um dispositivo que pode guardar informações em uma camada magnética molecular.
Basicamente os cientistas daquela instituição descobriram que o DNA humano é uma forma muito compacta de guardar informações e trabalharam um código repetindo o que se processa nele.
Que o cérebro humano é um computador já se sabe, mas não havia estudos concretos sobre isso. Interessante é que, para testar a descoberta, usaram, entre outros artigos, uma série de sonetos de Shakespeare em TXT e foi justamente o bardo inglês que disse, no ato I – Cena V do Hamlet:Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia". Desde o tempo em que ele proferiu essa frase, quanta coisa que era desconhecida se revelou... e agora surge esta façanha dos cientistas britânicos.
             Está confirmada, pelo estudo deles, que a identidade estrutural da matéria viva e da  matéria inorgânica é idêntica e que a Bíblia sabe explicar isso quando diz que, no sexto dia da Criação, Deus criou o homem e o fez à sua imagem e semelhança. Deus fez o homem de barro. Na composição de nosso corpo estão o ferro, o zinco, a água, o magnésio e todos os minerais que existem  nesse barro. E esses minerais já foram encontrados também pela Nasa em outros corpos celestes. E não são os alimentos da terra que conservam a vida humana?  E a palavra homem vem do latim homo, de húmus (terra).E o que nos faz diferentes da matéria inorgânica?
Diz a Bíblia que, para infundir a vida ao homem, Deus soprou-lhe o rosto. Spiritus significa sopro. Naquele momento o espírito animou o ser humano. Essa é a nossa diferença da matéria inorgânica. O sopro de Deus, a alma imortal.
            A descoberta fantástica citada no início do artigo da tecnologia de armazenamento de dados seguindo o código genético do ser humano é mais uma prova da existência de um Ser Superior, que criou, com sua sabedoria, uma obra tão genial com realidades tão universais.
            Era costume, antigamente, os autores colocarem no final de suas obras, uma expressão latina de gratidão ao Todo Poderoso. Vou colocar a mesma expressão no final do artigo, agradecendo por fazermos parte de uma obra tão infinitamente sábia como a do Universo:

            Laus Deo! (Louvor a Deus!)

AS CAMÉLIAS DO LEBLON



AS CAMÉLIAS DO LEBLON
                                                                                 Avelina Maria Noronha de Almeida
                                                                                        avelinaqueluz@bol.com.br

Havia no Leblon, no Rio de Janeiro, em fins do século XIX, um português fabricante de malas que se chamava José de Seixas Magalhães. Esse homem empreendedor possuía também, no mesmo local, uma chácara onde cultivava flores em grande quantidade e quem o ajudava no agradável mister eram escravos fugidos que ele escondia ali, com a cumplicidade dos principais abolicionistas da capital do Império. A chácara era chamada de “Quilombo do Leblon”. E havia no jardim muitos pés de camélia branca, pelas quais era apaixonado o português, flor que se tornou símbolo do movimento abolicionista, a Flor da Liberdade.
Naquele tempo, quem desse abrigo a escravos fugitivos era penalizado pela lei com pesadas multas e sujeito ainda a severas punições. Assim, como o movimento era secreto, os que tinham compromisso com a causa escondiam os esconderijos dos escravos, chamados de quilombo e, para se identificar, usavam como senha, na lapela do paletó, uma bela e delicada camélia branca. Rui Barbosa, um dos principais abolicionistas, tinha árvores dessa flor em seu jardim.
            Seixas e seus companheiros recebiam proteção especial da princesa Isabel, que já financiara a alforria e alojamento de dezenas de escravos, contribuindo também na manutenção do Quilombo do Leblon. Por isso o português, agradecido, enviava regularmente camélias brancas ao Palácio das Laranjeiras, residência da princesa, que com elas enfeitava seu gabinete de trabalho e o altar de sua capela particular.
Quando D. Pedro II estava na Europa em tratamento de saúde, a princesa promoveu o Baile das Flores e nele usou um vestido todo aplicado com camélias brancas, e olhem que interessante este fato comprovado: em princípios de 1888 almoçaram em Petrópolis, no Palácio Imperial, 14 africanos fugidos das fazendas próximas.
Seixas foi um dos subscritores da lista que compraram uma pena de ouro para presentear Isabel e com a qual, a 13 de maio de 1888, a Redentora assinou a Lei Áurea.
Depois da sanção da lei, o Barão de Cotegipe, defensor da manutenção da escravatura, disse à nobre e admirável princesa: “Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono”. Mas se perdeu o trono, conquistou a imensa gratidão dos libertados e hoje ocupa um lugar grandioso em nossa História.

A princesa e os abolicionistas, entre eles, José de Seixas Magalhães, o português das camélias, com seu idealismo e grandeza de coração, com sua luta e dedicação estavam, nos dizeres da língua de Horácio, “libertati viam facere” (fazendo uma estrada para a Liberdade).

O PRIMEIRO DE ABRIL SUMIU! OU QUASE...





                                        O PRIMEIRO DE ABRIL SUMIU! OU QUASE...
                                                                                 Avelina Maria Noronha de Almeida

Este mês que estamos vivendo começa com o “Dia da Mentira”, a data Primeiro de Abril. Não me interessei em pregar peça a ninguém, não vi ninguém fazer isso e, mais estranho ainda, de várias pessoas a quem indaguei sobre o assunto, nenhuma delas o fez nem viu ninguém passar um “primeiro de abril”. Estaria, então, morrendo essa brincadeira tradicional?
De certa forma,sim. As correrias da vida atual, a crise espiritual e a sociológica, estão tirando o espaço das tradições ingênuas e sem maldade. Mas, na verdade, a comemoração daquela data está renascendo em outra área, com força total, no mundo virtual. O pior é que não sabemos ou não podemos avaliar as consequências desses atos.
Foi o que aconteceu quando o YouTube anunciou, neste ano de 2003, em seu blog, que encerraria suas atividades no dia seguinte, 1º de abril. Já pensaram, com a obsessão que domina hoje o espírito dos internautas, no pânico e tristeza que acometeram os aficcionados do YouTube, no qual têm oportunidade de assistir a acontecimentos que não puderam presenciar ao vivo ou no dia em que foram transmitidos? Ou acostumados a mandar mensagens para os amigos usando aquele serviço? Como devem ter respirado aliviados ao receberem, no dia seguinte, a notícia de que tudo não passava de “primeirão” de abril... Eu mesma recebi, no meu endereço eletrônico, uma mensagem em inglês participando o encerramento citado.
Também em outras áreas da Internet houve brincadeirinhas como anúncio de produtos e serviços que, na verdade, não existem; a divulgação de um mapa de um tesouro de pirata; a contratação de pessoas para trabalharem em um centro de pesquisa na Lua; e mais uma quantidade enorme de ofertas capazes de atiçar os sonhos de pessoas ingênuas e incrédulas, que as há muitas por aí...
            Essa brincadeira começou na França, com o nome de “Poisson d’avril” (pesca de abril) e se espalhou pelos outros países europeus. Na Itália também tem o nome de “pesce d’aprile” com o mesmo significado do nome francês. Pesca de mentiras para provocar risos.
Uma hipótese também sobre o arrefecimento do entusiasmo em pregar um primeiro de abril seja porque a mentira já é quase institucionalizada, principalmente pela corrupção que invade o País. Surge em toda a parte, até onde só deveria haver seriedade; vulgarizou-se. Para muita gente o 1º de Abril é o ano todo. Há Pinóquios demais.           
Não se condene a tradição, mas que ela se manifeste em brincadeira saudável, que não prejudique ninguém e que não reste dúvida sobre a veracidade ou não do fato, porque a honestidade deve ser a base de todo relacionamento humano.
Em todos os momentos de nossa vida devemos fugir da mentira porque ela nos aprisiona com suas cadeias, às vezes douradas, às vezes enferrujadas. Como disse Públio Terêncio:

Alia aliam fallacia trudit.(Uma mentira atrai outra) 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O COMEDIANTE E NÓS


                                                                  Imagem da Internet



O COMEDIANTE E NÓS

                                        Avelina Maria Noronha de Almeida 
                                        

            A ONU instituiu o dia 26 de fevereiro como o Dia do Comediante, aquele que apresenta o humor nas artes cênicas, apresentando-se num palco ou em qualquer lugar onde haja público, como em praça e ruas.
            A função, ou mesmo missão, do comediante é despertar o humor, fazer rir. Ensina Aristóteles que o homem é o único animal que ri. Assim o riso é um apanágio humano, uma diferença que fazemos nas relações entre os seres vivos, um patrimônio nosso.  
Os primeiros contatos que tive com comediantes foi no circo, com os palhaços, e nas apresentações teatrais ou cinematográficas nos cinemas locais. O engraçado, o que faz rir esteve sempre presente, no decorrer dos tempos, em Conselheiro Lafaiete, no palco com artistas lafaietenses ou vindos de fora; na tela com o Gordo e o Magro, o Grande Otelo, o Oscarito entre outros, as chanchadas da Atlântida, às vezes sofredoras nas mãos dos críticos, mas que recebiam retumbantes aplausos do público. Como disse o jornalista Sérgio Augusto: “Com seu humor quase sempre ingênuo, às vezes malicioso e até picante, a chanchada se impôs como um entretenimento de massa”. E foram e são muitos os excelentes artistas brasileiros.
Houve grandes comediantes no passado lafaietense, reconhecidos e aplaudidos pelos frequentadores de teatro. Eram de alto nível e são tantos que fica difícil selecionar só alguns para citá-los. Nos últimos tempos, Geraldo Lafaiete tem projetado, aqui e muito além dos limites desta terra, o valor dos nossos excelentes artistas atuais, entre eles os comediantes.
Os homenageados na data de 26 de fevereiro têm a função ou mesmo missão de despertar sorrisos e risos, os quais trazem claridade à vida tão plena de penumbras dos dias atuais. São os alegres mensageiros do humor. Quem sai de um espetáculo de comédia sente-se mais leve, mais disposto a enfrentar os problemas porque ali realizou uma catarse, uma liberação de angústias, ressentimentos, raivas, indignações. Santo Tomás de Aquino dizia que o humor é um “bem útil”. É claro que não é assim quando há exageros, agressividade, falta de ética, impropriedade no conteúdo das farsas e brincadeiras.
Hoje os espetáculos cômicos e os filmes de comédia estão em nossas casas, trazidos pela televisão, muitos sutis, de fino humor, impagáveis, embora haja também os chulos, de um humor tolo ou grosseiro. A presença de joio e de trigo é um dos arquétipos mais presentes na existência humana.
Parabéns, comediantes, principalmente da nossa cidade, pelo bem-estar psicológico e emocional (consequentemente corporal) que nos proporcionam! Sabemos que vocês têm um mérito enorme, porque já dizia o ditado em defesa das artes cênicas pelo crítico de artes Rubens Ewald Filho: “Morrer é fácil, difícil é fazer comédia".
E dizia Santo Tomás de Aquino: “Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae”. (O humor é necessário para a vida humana)

terça-feira, 7 de maio de 2013

PÉS DESCALÇOS







 pÉS DESCALÇOS
                                                                       Avelina Maria Noronha de Almeida

            Você, que me lê, conseguiria passar um dia inteiro descalço? Levantar-se de manhã, deixar de lado o chinelo, sair de casa para estudar, trabalhar ou para outra atividade sem nem ter olhado para o sapato? Ir com os pés desguarnecidos até o carro, a bicicleta, a motocicleta, o ônibus? Ou palmilhar dessa maneira passeios ou calçadas? Assim passar o dia inteiro, estivesse onde estivesse?
            Difícil, não é? Imagine um operário, um engenheiro trabalhando nos diversos tipos de obras, em uma mineração, por exemplo, pisando em cascalhos, em pedrinhas pontiagudas... Difícil, praticamente impossível, não só desconfortável como também perigoso.
            Pois foi isso que, em 2006, propôs o humanitário senhor Blake Mycoskie, um viajante americano que, fazendo amizade com as crianças de um vilarejo argentino, ficou condoído por constatar que elas não tinham sapatos que protegessem seus pezinhos que, descalçados, ficavam expostos não só a machucados como também a infecções e outras moléstias, além de afetar sua autoestima. Também percebeu que muitas crianças de outros lugares da Argentina nunca haviam tido um sapato. Creio que, daí, pensou também no que devia acontecer pelo mundo, principalmente em vários lugares de países subdesenvolvidos.
            Blake convocou o mundo todo para aderir ao evento “Um Dia Sem Sapatos”. As pessoas sentiriam, em si próprias, o que era andar um dia inteiro sem sapatos. Mas não ficou apenas nesse gesto espetacular. Passou também à ação. Criou a empresa TOMS, com o objetivo de, para cada par de sapatos que vendesse em países desenvolvidos, doar outro para crianças de países subdesenvolvidos, dando o nome à atividade de “One for One”.
            Vejam o que ele diz quanto ao desenvolvimento de seu projeto: "É comovente pensar que o evento  ‘Um Dia Sem Sapatos’ começou no campus de uma universidade há seis anos e hoje há milhares de participantes em todo o mundo. Una-se a nós nesse dia especial – tire os sapatos e chame a atenção para tantas crianças que não têm escolha e saem sem sapatos todos os dias".
Em Lisboa foi fundada, com o mesmo objetivo da TOMS, no ano passado, a associação GaSNova angariando sapatos para Moçambique e Cabo Verde e muito bem organizada pois, a cada par oferecido é associado um número de registro que irá permitir ao doador saber onde entregaram o calçado. Naquele ano, os lisboetas foram convidados a uma caminhada pela Rua Augusta, sem sapatos, em solidariedade às crianças descalças.
            Eventos de adeptos dos ideais de Blake ocorreram, no último 16 de abril em várias cidades do mundo, como Nova York, Los Angeles, Toronto, Londres, Amsterdã, Seul e Tóquio, entre outras. Atualmente contam-se em muitos milhares os participantes e mais de um milhão os pares de sapatos doados.
            Alunos do Colégio Santo Agostinho, de Contagem, há três anos aderiram à Campanha, mobilizando as pessoas e doando os sapatos arrecadados para entidades assistenciais de Contagem, Ibirité e Belo Horizonte.
            Um site na Internet colocou a frase: “Vista essa ideia e tire seu sapato!” Pensei: o que posso fazer? Muito pouco, porque quase não piso no chão, mas, pelo menos escrevi este artigo descalça.
            Para essas pessoas sensíveis, que ajudam a diminuir o sofrimento de tantas crianças pelo mundo, dedico, como homenagem, a frase latina:
           Ubi caritas et amor, Deus ibi est.( Onde há caridade e amor, Deus está lá)


DEUS SALVE A AMÉRICA!



Imagem da Internet 



DEUS SALVE A AMÉRICA!
                                    Avelina Maria Noronha de Almeida
                                                                                                         

O dia 12 de outubro tem, entre outras datas comemorativas, duas merecidamente bem comemoradas, com carinho e grandes manifestações: o Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, e o Dia das Crianças. Mas existe uma que anda um pouco esquecida: a do Descobrimento da América, em 1492, por Cristóvão Colombo.
No meu tempo de estudante, era uma data muito festejada. Isso em meados do século XX. Havia auditório comemorativo ressaltando a figura de Cristóvão Colombo, poesias ou dramatizações sobre os países americanos e não podia faltar o hino “Deus Salve a América!” bem ensaiado nas aulas de Canto, que eram duas por semana. Hoje em dia, creio que poucos conheçam ou se lembrem dele.
 De autoria de Irving Berlin, era uma música patriótica americana que foi largamente difundida no Brasil e aqui cantada como um hino de todas as Américas, pedindo a Deus paz e bênção para esta parte do mundo. No anfiteatro da Segunda Guerra Mundial, costumava ser cantada, com emoção, por soldados americanos e brasileiros em conjunto. A melodia é muito bonita e inflamada, e a letra de grande simplicidade porém muito bela.
“Quando nuvens negras,/ Como um negro véu,/ Descem sobre as serras/ empanando o céu,/
Ouve-se uma prece/ Dessa gente audaz, Que não teme as guerras,/ Mas deseja a paz!
Deus salve a América!/ Terra de amor! Verdes mares, florestas/ Lindos campos abertos em flor.”
Berço amigo,/Da bonança,/Da esperança/ no altar.../ Deus Salve a América!/ Meu céu! Meu lar!
Nas aulas de Inglês cantávamos:
“God bless America,/ Land that I love” e ia assim por diante…
Talvez eu tenha exagerado no meu saudosismo, mas pensando bem,  somos parte do Continente Americano e devemos nos identificar com ele e dar valor às suas efemérides.
A América, cujo nome é uma homenagem ao navegador italiano Américo Vespúcio, compõe-se de duas massas de dimensões continentais ligadas pelo istmo do Panamá, que tem mais de 80 quilômetros de largura. Ali foi construído um canal – Canal de Panamá – para ligar o Oceano Atlântico ao Pacífico.
Assim estamos todos os países americanos em um único bloco de terra, pois o canal é uma construção artificial. A OEA, organismo fundado em 30 de abril de 1948, une os países americanos para defender os interesses do continente, buscando promover a paz e o desenvolvimento econômico, social e cultural por meio da cooperação mútua.
Como seria bom que voltássemos àqueles tempos da “aurora da minha vida”, nos quais um clima de identidade e afetividade unia os países do nosso continente!
E em tempos em que sombras ameaçadoras, e mesmo destruidoras, perturbam o mundo, bem precisamos levantar a voz num verso do hino que tanto cantávamos antigamente: “DEUS SALVE A AMÉRICA!”, pedindo ao Todo Poderoso paz e bênção, principalmente proteção.
Agora, quanto a essas mudanças que ocorreram com o passar dos tempos, temos que reconhecer que isso faz parte da vida, muitas vezes infelizmente. Como dizia o filósofo Heráclito de Éfeso (535-475 a.C.):
“Tempora mutantur et nos mutamur in illis.” (O tempo muda e nós mudamos com ele)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O JORNAL E A EDUCAÇÃO


O JORNAL E A EDUCAÇÃO
                                                             Avelina Maria Noronha de AlmeidA

 
   Herbert Marshall McLuhan, um professor canadense de linha polêmica e idéias avançadas, teórico dos meios de comunicação, foi precursor dos estudos midiológicos. Criador do conceito de “aldeia global”, uma metáfora para a civilização contemporânea,   ele dizia ter o mundo de hoje semelhança com a aldeia primitiva por todos saberem de todos devido ao progresso tecnológico das mídias.
            Luhan fez várias incursões na área da Educação. Criticava acerbamente o modelo tradicional, apontando seus defeitos, de um modo especial por não utilizar a mídia como aliada. Dizia: “Poucos estudantes conseguem adquirir proficiência na análise de um jornal”. O polêmico canadense, apelidado de “Papa da Comunicação”, predisse que, no futuro, os livros serão substituídos pelos jornais nas escolas. Temos de reconhecer que suas palavras têm possibilidade de serem proféticas pois, como temos visto atualmente, um conceito científico exposto em livro pode, em pouco tempo, ter sido suplantado por nova teoria. Com a rapidez vertiginosa das mudanças nos vários setores culturais, surgindo novidades a cada dia, as pesquisas se aprofundando, as descobertas acontecendo continuamente, o que está escrito num compêndio escolar  pode logo, logo, ficar obsoleto.
            Enquanto isso, no jornal, as notícias vão se renovando a cada exemplar, as idéias se ampliando ou modificando, os ensinamentos acompanhando os passos da humanidade. E ainda mais, num arquivo de jornais, o leitor pode ter conhecimento de fatos passados, usufruindo-os com o mesmo espírito da época em que aconteceram. Disse Matinas Suzuki Jr. que “... o jornal é um tipo de vitrine da História, eivada de qualquer teologia sem finalidade. O presente é flagrado e fixado como um momento desvinculado do acontecer”. É a maior fonte de conhecimento por meio de páginas impressas pela facilidade de difusão e pelo universo de pessoas que atinge.
            Felizmente estamos presenciando o uso de jornais em atividades escolares por um grande número de professores, o que ajuda a desenvolver, nos estudantes, a reflexão crítica e a habilidade de interpretação. E isso faz parte da boa Pedagogia.
Como disse Cícero, em De Legibus 2.47: Non solum scire aliquid artis est, sed quae dam ars etiam docendi. (Na verdade não só saber é uma arte, mas também há uma arte de ensinar)